Caso Marielle

Bolsonaro concedeu passaporte diplomático a parentes de suspeito de mandar matar Marielle Franco

Decisão foi tomada em 2019, quando Domingos Brazão já era investigado pelo crime

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O ex-presidente Jair Bolsonaro deu passaporte diplomático a parentes de Domingos Brazão, apontado como mandante do assassinato de Marielle Franco. Foto: AFP/Reprodução
O ex-presidente Jair Bolsonaro deu passaporte diplomático a parentes de Domingos Brazão, apontado como mandante do assassinato de Marielle Franco. Foto: AFP/Reprodução

O ex-presidente Jair Bolsonaro concedeu passaporte diplomático a parentes de Domingos Brazão, acusado por Ronnie Lessa, através de delação premiada, de ser mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco em 2019.

O que você precisa saber:

  • O passaporte foi concedido em julho de 2019, quando Domingos Brazão já era investigado no caso Marielle.
  • Os parentes beneficiados foram João Vitor Moraes Brazão, filho de Domingos, e Dalila Maria de Moraes Brazão, esposa do deputado federal Chiquinho Brazão (Avante-RJ).
  • Chiquinho é irmão de Domingos e seu sócio em uma rede de postos de gasolina no Rio de Janeiro.
  • A concessão do passaporte diplomático pode ser interpretada como uma forma de proteção aos parentes de Domingos Brazão.

Segundo o Brasil de Fato, João Vitor Moraes Brazão e Dalila Maria de Moraes Brazão receberam do Itamaraty um passaporte diplomático em julho de 2019. O parlamentar é irmão de Domingos Brazão e seu sócio em uma rede de postos de gasolina no Rio de Janeiro.

Os membros da família Brazão estavam em uma lista com 1694 passaportes diplomáticos emitidos pelo governo Bolsonaro. Na ocasião, Domingos já era investigado no caso Marielle por suspeita de obstruir as apurações sobre o crime.

Em setembro de 2019, a ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge apresentou uma denúncia contra ele e solicitou a abertura de um inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para apurar se o conselheiro foi mandante do assassinato da vereadora.

Domingos Brazão, ex-MDB, foi afastado do cargo de conselheiro do TCE por quatro anos após ser preso em 2017 por acusação de receber propina de empresários. Na ocasião, ele foi alvo da Operação Quinto do Ouro, desdobramento da Lava Jato do Rio de Janeiro.

Seu irmão, Chiquinho, fez toda a trajetória política em Rio das Pedras, zona oeste do Rio de Janeiro, região controlada por milícias. Em 2012 e 2016, ele foi o vereador mais votado na região e usou o bairro como base de sua campanha.

A principal hipótese para a suposta ordem de Domingos contra Marielle seria uma vingança contra Marcelo Freixo, ex-deputado estadual pelo PSOL e atualmente presidente da Embratur (Empresa Brasileira de Turismo), com quem teve disputas sérias na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

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