Pacto Sombrio

Lula acusa Bolsonaro de conspiração em tumultos em Brasília

Presidente diz que houve “pacto” entre ex-presidente, governador do DF, Exército e Polícia do DF

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Lula - Foto: Ricardo Stuckert / PR
Lula - Foto: Ricardo Stuckert / PR

Lula afirmou que não recebeu informações corretas sobre ameaça de ataques

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro de conspiração nos tumultos ocorridos em Brasília em 12 de dezembro de 2022. Em entrevista ao jornal O Globo, Lula disse que havia um “acordo” entre Bolsonaro, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, o Exército e a Polícia do Distrito Federal durante os atos.

Durante a cerimônia de posse de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ocorreram incêndios em veículos e uma tentativa de invasão à sede da Polícia Federal. Além desses eventos, houve uma tentativa frustrada de atentado com bomba nas proximidades do aeroporto de Brasília na véspera do Natal daquele ano. A situação se intensificou, culminando na invasão das sedes dos três Poderes em 8 de janeiro do ano passado.

“Tinha havido aquela atuação canalha que envolveu inclusive gente de Brasília, quando tacaram fogo em ônibus no dia em que fui diplomado”, disse Lula. “Eu estava no hotel assistindo a eles queimando ônibus, carros, e a polícia acompanhando sem fazer nada. Havia na verdade um pacto entre o ex-presidente da República (Jair Bolsonaro), o governador de Brasília (Ibaneis Rocha) e a polícia, tanto a do Exército quanto a do DF (Distrito Federal). Isso havia, inclusive com policiais federais participando. Ou seja, aquilo não poderia acontecer se o Estado não quisesse que acontecesse”.

Ônibus incendiado por bolsonaristas em Brasília no dia da diplomação de Lula
Ônibus incendiado por bolsonaristas em Brasília no dia da diplomação de Lula

“Não me passava pela cabeça”

Ao relembrar os primeiros dias de seu terceiro mandato, Lula expressou desconforto com a persistência dos acampamentos em frente aos quartéis. Ele mencionou que, antes de partir para Araraquara (SP), onde estava durante o ataque, teve uma conversa com o ministro da Defesa, José Múcio, destacando que não recebeu as informações corretas sobre a ameaça dos ataques.

“Antes de viajar para São Paulo, conversei com o ministro Múcio, ele disse que estava tranquilo, que as pessoas iam sair. Viajei tranquilo”, lembrou o presidente. “Não me passava pela cabeça que eu ia ser pego de surpresa com aquela manifestação. Sinceramente, não tive as informações corretas que tinha possibilidade de acontecer aquilo”.

Lula disse que, quando soube dos ataques, ficou “triste e indignado”. Ele afirmou que os atos foram uma tentativa de “derrubar a democracia” e que “não serão esquecidos”.

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