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Cinco tendências em tecnologia financeira para 2024

Inteligência artificial, tokenização e foco em políticas ESG estão no radar dos mercados de capitais

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Cinco tendências em tecnologia financeira para 2024
Foto: Divulgação

O cenário dinâmico da economia e da tecnologia moldam o futuro do setor financeiro no Brasil e o ano de 2024 promete uma evolução ainda mais significativa. É evidente que a transformação digital não é apenas uma opção, mas uma necessidade para as empresas financeiras se manterem competitivas e algumas tendências devem se tornar cada vez mais comuns. 

A integração de tecnologias emergentes, como Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning (ML), não só promete otimizar processos internos, mas também abrir novas oportunidades. A tokenização, por sua vez, está redefinindo a natureza das transações financeiras. E o foco crescente em políticas ESG reflete uma mudança significativa na mentalidade dos investidores e consumidores, direcionando o capital para empresas comprometidas com práticas sustentáveis.

Em meio a essas tendências, espera-se que o ano de 2024 seja marcado por avanços tecnológicos que não apenas transformarão o setor financeiro, mas também moldarão a maneira como os consumidores interagem e confiam em seus serviços.

Considerando as principais tendências do mercado financeiro, Rodrigo Matioli, CRO da Quick Soft, analisa as principais tendências para o âmbito específico do mercado de antecipação de recebíveis. Confira:

  1. Tokenização na antecipação de recebíveis

O processo de transformar ativos em representações digitais, ganha destaque nos setores financeiro e de capitais no Brasil, impulsionado por fintechs que a utilizam para alcançar novos clientes e mercados de maneira ágil. O Banco Central regulamentará prestadoras de serviços de ativos virtuais, enquanto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) supervisionará criptoativos com características de valores mobiliários.

Especialistas veem a regulamentação como crucial para democratizar o acesso aos mercados de investimentos, reduzindo processos e intermediários. A tokenização será uma peça-chave para simplificar e fortalecer o processo de antecipação de recebíveis, pois, ao transformar ativos em tokens digitais, as empresas especializadas poderão criar contratos inteligentes mais eficientes, proporcionando transparência e rastreabilidade aos recebíveis antecipados. A tokenização também pode facilitar a criação de instrumentos financeiros mais flexíveis, adaptados às necessidades específicas de cada transação de antecipação.

2 – Inteligência Artificial e Machine Learning na avaliação de riscos e oportunidades

A crescente adoção de Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning (ML) está transformando significativamente as operações das fintechs. Essas tecnologias possibilitam análises preditivas, detecção de fraudes em tempo real e automação de processos. 

A IA generativa (GenAI) é destacada como uma das principais tendências para 2024, com estimativas indicando que até 2026, 80% das empresas terão aplicativos e modelos GenAI em ambiente de produção. Outras tendências incluem o Desenvolvimento Aumentado de IA, que auxilia engenheiros de software, e Aplicações Inteligentes, que adaptam a IA aos casos de uso específicos das organizações.

No mercado de antecipação de recebíveis, a IA e o ML permitirão análises de riscos mais precisas e personalizadas. Algoritmos avançados podem examinar padrões de pagamento, históricos de clientes e variáveis econômicas em tempo real, proporcionando às empresas insights valiosos para tomar decisões embasadas em relação à antecipação de recebíveis. Essas tecnologias também têm o potencial de automatizar processos, agilizando a oferta de serviços de antecipação.

3 – ESG e antecipação de recebíveis

O interesse no Brasil por negócios alinhados às políticas ESG (ambiental, social e governança corporativa) está em ascensão no mercado financeiro. Em 2022, 79 empresas captaram R$ 58 bilhões para práticas ESG, indicando a consolidação dessas abordagens como investimento global. O país possui 43 fundos sustentáveis com aproximadamente 42 mil cotistas, refletindo uma adaptação rápida do mercado brasileiro a essa nova realidade de investimentos.

A CVM destaca que essa tendência aumentará a busca por profissionais financeiros com conhecimento em ESG. Esse movimento impulsiona órgãos reguladores, como a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), a estabelecer marcos regulatórios claros para diferenciar práticas ESG genuínas de “greenwashing”.

Com o aumento do foco nesta área, as empresas de antecipação de recebíveis que incorporam práticas sustentáveis em seus modelos de negócios podem atrair investidores e clientes preocupados com questões éticas e ambientais.

 4 – Plataformas integradas e Open Finance 

A evolução do Open Finance oferece uma oportunidade para empresas de antecipação de recebíveis coletarem dados mais abrangentes, facilitando a integração com outras instituições financeiras. Isso pode resultar em uma avaliação mais completa do histórico financeiro dos clientes, aumentando a precisão na determinação da elegibilidade para antecipação de recebíveis e proporcionando uma experiência mais fluida e integrada aos usuários. 

Um exemplo desta tendência de integração é o registro de duplicatas, trazido pela evolução regulamentar da CVM através da resolução 175, com as alterações introduzidas pelas resoluções nº 181/23, 184/23 E 187/23.

 5 – Segurança avançada na antecipação de recebíveis

Infelizmente, as ameaças cibernéticas acompanham o ritmo dos avanços tecnológicos, levando as empresas a intensificarem investimentos em segurança. De acordo com uma pesquisa da Deloitte, 70% das empresas têm como meta aumentar os investimentos em segurança – o que confirma a tendência para 2024. 

Dada a crescente preocupação com a segurança financeira, espera-se que as empresas de antecipação de recebíveis invistam significativamente em medidas avançadas de proteção contra fraudes e sistemas de maior segurança e robustez tecnológica. Exemplos de sistemas seguros são o QCertifica (registro de operações e assinatura eletrônica digital) e o QProf (sistema multiempresa de gestão para FIDCs e securitizadoras), da Quicksoft. A incorporação de sistemas de segurança robustos protege as transações de antecipação contra ameaças de fraude, incluindo, mas não limitando a tendência de interoperabilidade entre os principais players do mercado.

Essas tendências específicas indicam que o mercado de antecipação de recebíveis em 2024 será caracterizado por uma convergência de tecnologias inovadoras, sustentabilidade e uma abordagem mais integrada, proporcionando oportunidades e desafios únicos para as empresas que operam nesse setor.

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