Alemão - Nem a Ideia Salva

Para quem estava esperando um filme que retratasse a histórica ocupação do Complexo do Alemão pela polícia do Rio de Janeiro, vai continuar esperando.

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Para quem estava esperando um filme que retratasse a histórica ocupação do Complexo do Alemão pela polícia do Rio de Janeiro, vai continuar esperando. Até porque não é essa a proposta do filme.

A trama se passa em novembro de 2010. Cinco policiais trabalham infiltrados no Complexo do Alemão, uma área que reúne diversas favelas e é considerada um dos locais mais perigosos do Rio de Janeiro. Desmascarados pelos traficantes, eles agora estão presos e aguardam que sejam executados ou resgatados pelas forças policiais, o que resultaria na divulgação de uma missão clandestina realizada pela polícia militar.

Praticamente oitenta por cento (ou mais) do filme se passa dentro do esconderijo dos policiais infiltrados, e, dessa maneira, pouco se conhece do Alemão em si. Tive a impressão de que se dissessem que o filme se passava em qualquer outra favela, outra cidade, outro país, outro planeta daria no mesmo. Pouco é apresentado do ambiente em questão. E não me venham com essa de que “é a proposta” que não cola, já que o título do filme é o nome do local, logo precisamos conhecer o local.
Se a ideia de colocar vários personagens em um cubículo e apresentar suas personalidades de maneira bastante clichê não é nada boa, imagine quando não há um conflito interessante que chame a atenção do público durante uma interminável 1h49min de filme!

Mas e as cenas de perseguição, tiros, explosões? Até há alguma coisa, mas parece que o brasileiro aprende rapidinho o que não presta dos americanos: coloque a câmera na mão, sacuda, dê muitos planos fechados e voilà! Temos cenas de ação!

E se a ideia era deixar o espectador ansioso ou apreensivo, os recursos utilizados não agradam. A trilha sonora que permeia todo o filme me deu náuseas de tão cansativa e monótona. Sem contar que é um desperdício utilizar canções que em nada representam o espírito do carioca (letras que falam de periferia e gueto é bastante paulista!). Faltou uma chuva de criatividade para se obter o efeito esperado.

Mas há sim algo a elogiar: o elenco (ou maior parte dele) é bastante competente, e ajuda em muito a prender a atenção do público. Pena que o badalado e superestimado Cauã Raymond não segue a linha dos companheiros Caio Blat, Milhem Cortaz, Otávio Müller, Gabriel Braga Nunes, Marcelo Melo Jr., Antonio Fagundes e Mariana Nunes.

É necessário que haja um filme que conte a história da ocupação do Alemão ou até mesmo de algo que tenha a ver com esse momento, mas este aqui é descartável.

Confira imagens e carta do filme Alemão

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