Deu 4:20!

Bloco Planta na Mente chega ao 13º desfile no Rio de Janeiro

Usando a alegria do carnaval para conscientizar, o bloco canábico sai no dia 14 de fevereiro, “quarta de brasas”, e quer falar de um mundo de sonhos: um futuro utópico em que a maconha já é legalizada

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Bloco Planta na Mente chega ao 13º desfile com o tema carnaval dos sonhos
Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 - Foto: Divulgação

Deu 4:20! E no dia 14 de fevereiro de 2024, na tradicional “quarta-feira de brasas”, os Arcos da Lapa, no Centro do Rio de Janeiro, vão receber pelo 13º ano um dos desfiles de carnaval mais irreverentes da folia carioca, o bloco Planta na Mente. E não faltam motivos para comemorar! São 13 carnavais de muita alegria, sorrisos, fumaça, mas também de resistência, militância e conscientização pela legalização da maconha. 

Bloco Planta na Mente chega ao 13º desfile
com o tema carnaval dos sonhos - Foto: Divulgação
Bloco Planta na Mente chega ao 13º desfile com o tema carnaval dos sonhos – Foto: Divulgação

Em 2024, o Planta na Mente propõe um carnaval dos sonhos. Na verdade, um sonho que, em algum lugar, já é uma realidade: a legalização da maconha! Com uma ampla discussão sobre o uso medicinal, cada vez mais presente na nossa sociedade, esse sonho vem se mostrando possível. No Carnaval dos Sonhos, o Planta na Mente vai falar sobre o futuro. O futuro em um mundo onde a alegria não encontra limites, onde uma boa brisa seja possível para todos, afinal, de que adianta ser permitido o uso medicinal da maconha, se as pessoas ainda não podem plantar seu próprio remédio? 

Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 - Foto: Divulgação
Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 – Foto: Divulgação

O Planta na Mente enxerga um cenário onde a pesquisa e a educação sobre a cannabis florescem, dissipando mitos e estigmas associados à planta. Este futuro legalizado proporciona um terreno fértil para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e métodos sustentáveis na indústria canábica. 

Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 - Foto: Divulgação
Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 – Foto: Divulgação

Além disso, sonha com um sistema legal que prioriza a justiça social, reconhecendo e reparando os danos causados pela guerra às drogas, dando um fim na violência dentro das favelas do país e do genocídio do povo preto. Nesse lugar de sonhos, as políticas de saúde pública são moldadas por uma abordagem compassiva, promovendo o bem-estar dos indivíduos e a segurança da comunidade. A legalização da cannabis não é apenas uma mudança nas leis, mas um catalisador para uma transformação mais profunda em nossa cultura, fortalecendo a compreensão, aceitação e respeito mútuo.

Outra novidade esse ano é uma nova marchinha, que homenageia o Bola Preta, mas que também remete à ideia desse futuro tão sonhado pelo bloco.

Quem São eles?

Planta na Mente é um coletivo canábico formado por músicos, militantes e simpatizantes da causa da legalização. Todos os anos, recebe mais de dez mil pessoas em seu tradicional desfile, que sai dos Arcos da Lapa, bairro onde nasceu, em direção à Praça Tiradentes. Com músicas próprias ou dando “toques canábicos” a marchinhas tradicionais, o PLANTA NA MENTE tem como principal objetivo conscientizar e trazer o tema da legalização para o debate, por meio da irreverência do carnaval. 

Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 - Foto: Divulgação
Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 – Foto: Divulgação

“Bandeira branca, amor // Não posso mais // Me esconder só por fumar // Erva da paz” 

“Ei, você aí // Me salva um beck aí // Me salva um beck aí”.

Em 2024, o bloco vai festejar 13 carnavais com várias apresentações em espaços públicos, casas de shows e em todas as Marchas da Maconha realizadas no Estado do Rio de Janeiro, como a de Paraty e de Niterói, além da Marcha da capital. O bloco também integra o CORETO, Coletivos de Blocos Organizados do Rio de Janeiro.

Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 - Foto: Divulgação
Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 – Foto: Divulgação

O Planta também promove eventos e debates periódicos sobre a proibição da maconha e seus efeitos na sociedade. Ações de conscientização sobre redução de danos do uso de maconha também estão previstas para o dia do desfile oficial, numa forma de priorizar a saúde das “plantinhas” que vierem.

Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 - Foto: Divulgação
Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 – Foto: Divulgação

“O Planta na Mente usa o contexto do Carnaval para falar sobre legalização de uma forma lúdica, quase como se fosse uma brincadeira. É a forma que encontramos de quebrar tabus e levantar um tema que se mostra tão importante hoje em dia”, diz Pedro Pajé.

As bandeiras e causas do Planta na Mente

Não só de carnaval vive o Planta. Resistência e luta pela legalização fazem parte da história do coletivo.

Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 - Foto: Divulgação
Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 – Foto: Divulgação

“Quando o bloco surgiu, no nosso primeiro e segundo desfiles, fomos proibidos pela Guarda Municipal de concluir o trajeto. A verdade é que ainda existe um grande preconceito, mas o nosso coletivo quer jogar luz sobre o assunto da legalização de forma alegre, saudável, cuidando da cidade e cuidando uns dos outros”, acrescenta Pajé.

Além da liberdade de uso, o Planta na Mente também defende a descriminalização do uso e do plantio, assunto em discussão atualmente no Judiciário. 

Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 - Foto: Divulgação
Desfile do bloco Planta na Mente, no Centro, Rio de Janeiro, em 2023 – Foto: Divulgação

“As pessoas não devem ser presas por portar ou por fumar. Uma das nossas principais bandeiras é a liberação para o cultivo, principalmente quando está relacionado ao uso da maconha medicinal. As pessoas precisam ter a oportunidade de plantar seu próprio remédio, sem depender da indústria farmacêutica. Mas também precisamos denunciar essa dita ‘guerra às drogas’, que segue encarcerando e matando jovens em situação de vulnerabilidade, especialmente pessoas negras”, conclui Pedro.

A luta continua e a causa é verde! E como diz o Hino das 4i20, uma das músicas mais famosas do Planta: “Na lei do duende // Quem aperta, acende // O Planta vai legalizar!”.

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