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Revisionismo nas escolas contesta ditadura militar e nazifascismo

Estudo da Unicamp mostra que ditadura militar e nazifascismo são os temas mais contestados por revisionistas ideológicos

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Revisionistas contestam ditadura militar e nazifascismo em escolas
Revisionistas contestam ditadura militar e nazifascismo em escolas - Foto: Agência Brasil

Pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostra que a ditadura militar brasileira e o nazifascismo são os temas mais contestados por revisionistas ideológicos nas escolas. O estudo, realizado pelo pesquisador Pedro Zarotti Moreira, ouviu 85 professores de História de todo o Brasil.

O que você precisa saber:

  • Ditadura militar e nazifascismo são os temas mais contestados por revisionistas ideológicos.
  • Os revisionistas ideológicos utilizam-se de metodologias tendenciosas para negar fatos históricos.
  • Os casos de revisionismo ideológico ocorrem principalmente nas turmas do ensino médio.
  • O revisionismo ideológico pode ser explicado por fatores como a polarização política, o avanço das redes sociais e a chegada da direita ao poder.

A pesquisa de Zarotti Moreira mostra que os revisionistas ideológicos, ou negacionistas, como são popularmente conhecidos, utilizam-se de metodologias próprias tendenciosas, sem a utilização de procedimentos acadêmicos reconhecidos da pesquisa historiográfica. Segundo o pesquisador, os revisionistas ideológicos utilizam-se, por exemplo, de casos particulares ou excepcionais do passado para “provar” que teses consagradas por historiadores acadêmicos seriam “falsas”.

O estudo mostra ainda que os casos de revisionismo ideológico ocorrem principalmente nas turmas do último ano do ensino fundamental (9º), e nos três anos do ensino médio, principalmente no terceiro. Para o pesquisador, isso pode ser explicado pela questão etária dos alunos, e pelos temas históricos que são previstos para serem tratados nas turmas desses anos.

Para Zarotti, o aparecimento nas escolas do revisionismo ideológico nos últimos anos pode ser entendido a partir da confluência de vários fatores, entre eles a polarização política ideológica, presente há pelo menos 10 anos no país; o avanço da internet e das redes sociais em uma arquitetura de bolhas, com pouco espaço para a pluralidade; e a chegada da direita mais radical ao poder.

Reação à realidade

O professor da área de Ensino de História da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Marcus Bomfim, um dos entrevistados da pesquisa, afirma que uma das explicações para o aparecimento do negacionismo dentro das salas de aula e do questionamento do ofício do professor historiador está ligada à reação de classes sociais que viram seus privilégios serem ameaçados a partir do início do século 20 no país.

“Estou me referindo, sobretudo, à maior diversificação do corpo de pessoas na universidade, maior distribuição de renda, a ascensão social da classe D e E para classe C, da classe C para a classe B. Tudo isso, de alguma forma, evidenciou como o Brasil foi estruturado a partir de determinados privilégios”, destaca.

De acordo com Bomfim, esse processo passou a mostrar de forma clara a presença de privilégios na sociedade, o que levou a uma reação das classes privilegiadas contra essa nova leitura da realidade brasileira.

“Quando se produz leituras de mundo calcadas numa perspectiva democrática, de busca de maior justiça social, de denúncia de privilégios, isso faz com que muita gente se sinta ameaçada. E, ao se sentir ameaçada, você, ao invés de discutir o argumento, normalmente você questiona o interlocutor. Você nomeia o professor como doutrinador. Começa o processo de vigilância maior e uma tentativa de equivaler conhecimento e opinião”.

Combate ao negacionismo

Bomfim ressalta que o combate ao negacionismo dentro das salas de aula passa pela valorização dos docentes como intelectuais que participam da construção do que é ensinado dentro das escolas. Os professores, por sua vez, devem focar nas leituras da realidade que são baseadas na preocupação com a vida, com os direitos humanos e com a democracia.

“Trata-se de que o professor assuma seu compromisso com a produção de uma narrativa histórica na escola que articule os conteúdos produzidos pela ciência histórica com valores focados no que eu chamo de democracia radical, a preocupação com a vida, com os direitos humanos”, disse.

“Infinitas possibilidades existem para que narrativas históricas estejam no domínio do verdadeiro. Mas quando essas narrativas tensionam vidas, fazem com que algumas vidas sejam mais perecíveis do que outras, ou, no outro extremo, que sejam mais dignas de viver do que outras, isso coloca em risco o pacto civilizatório”.

Leia a íntegra da pesquisa.

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