Covardia

Jagunços covardes atacam ocupação Guarani Kaiowá e espancam indígenas, antropóloga, engenheiro e jornalista canadense

Casal estava documentando conflito fundiário entre indígenas e produtores rurais

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Indígenas que participaram de retomada da área sobreposta pela Fazenda Maringá mostram ferimentos do ataque de jagunços - Comunidade Pyelito Kue
Indígenas que participaram de retomada da área sobreposta pela Fazenda Maringá mostram ferimentos do ataque de jagunços - Comunidade Pyelito Kue

Um jornalista canadense e sua esposa, uma antropóloga brasileira, foram agredidos por um grupo de homens encapuzados e armados enquanto trabalhavam no sudoeste do Mato Grosso do Sul, documentando o conflito fundiário que envolve comunidades indígenas e produtores rurais.

O que você precisa saber:

  • O casal foi agredido em Iguatemi (MS), na tarde da última quarta-feira (22).
  • Eles estavam acompanhados por um morador da comunidade e um engenheiro florestal.
  • O grupo de homens encapuzados e armados bloqueou a estrada e obrigou o casal a descer do carro.
  • Eles foram agredidos e roubados, e ameaçados de morte.
Canadense e antropóloga denunciam agressão em área de conflito em MS
Mato Grosso do Sul (MS) 24/11/2023 – O jornalista canadense Renaud Philippe e a cineasta e antropóloga Ana Carolina Mira Porto – Foto: Ruy Sposati/Cimi

O jornalista canadense Renaud Philippe, 39 anos, e sua esposa, a antropóloga brasileira Ana Carolina Mira Porto, 38, afirmam ter sido agredidos por um grupo de homens encapuzados e armados enquanto trabalhavam no sudoeste do Mato Grosso do Sul, documentando o conflito fundiário que envolve comunidades indígenas e produtores rurais.

Segundo o casal, a agressão ocorreu em Iguatemi (MS), na tarde da última quarta-feira (22). Philippe e Ana participavam de uma assembleia do povo guarani kaiowá, a Aty Guasu, em uma área reivindicada como território tradicional indígena na cidade de Caarapó, município a cerca de 140 quilômetros de Iguatemi.

Após deixarem a assembleia, Ana, Philippe e Galata decidiram ir até uma aldeia de Iguatemi onde pretendiam filmar. O casal estava acompanhado por um morador da comunidade, identificado como Joel, e pelo engenheiro florestal Renato Farac Galata, 41 anos, que Ana e Philippe conheceram na assembleia indígena.

No caminho, encontraram uma equipe do Departamento de Operações de Fronteira, da Polícia Militar (PM), que os abordou. Em depoimento, Galata mencionou que os policiais disseram que estavam apenas patrulhando a região, sem mencionar nada que preocupasse o trio.

Ainda em seus depoimentos, Ana Carolina, Philippe e Galata contaram que, quando retornavam à aldeia, se depararam com uma barreira de carros bloqueando a estrada. Segundo Ana, havia dezenas de homens junto aos veículos, muitos deles encapuzados e exibindo armas. A antropóloga lembrou que um dos homens se aproximou do carro do trio e os alertou para que deixassem o local, pois ali “ficaria perigoso”.

Impedidos de prosseguir, Ana, Philippe e Galata deram meia-volta. Segundo a versão do jornalista canadense, parte dos desconhecidos os seguiram e, ao alcançá-los, os fizeram descer do carro e se deitar no chão. Philippe contou que alertou os homens mascarados que era jornalista e que estava na região a trabalho, o que não evitou que ele e os demais passassem a ser agredidos.

Philippe diz ter recebido vários chutes nas costas e costelas. Ele também afirma que um dos agressores cortou um pedaço de seu cabelo com uma faca, ameaçando fazer o mesmo com Ana. De acordo com o trio, enquanto parte dos homens mascarados os agrediam, outros vasculhavam seus pertences pessoais.

No boletim de ocorrência, por roubo, consta que foram levados os passaportes de Ana e Philippe, além de cartões bancários, um crachá de identificação de jornalista internacional, duas câmeras e lentes fotográficas, baterias, dois celulares, uma bolsa e outros objetos.

Ana, Philippe e Galata afirmam ter sido ameaçados de morte caso não deixassem a região no mesmo dia. Libertados, os três encontraram uma equipe do Núcleo de Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, da Defensoria Pública estadual, que realizava uma inspeção próxima ao local onde o trio afirma ter sido agredido.

Com informações da Agência Brasil

Em contato com o DC Diário Carioca O Ministério dos Povos Indígenas se pronunciou sobre o ocorrido.
Em passagem pelo Mato Grosso do Sul, para participar da terceira etapa da “Caravana Participa, Parente!”, a ministra Sonia Guajajara destacou que este não é um caso isolado de intimidação de registros do cenário das comunidades indígenas no país, o que contribui para suprimir os direitos dos povos originários

Sonia Guajajara comenta ataques no MS

Confira abaixo na integra a nota do Ministério dos Povos Indígenas

Ministério dos Povos Indígenas (MPI) lamenta e repudia profundamente o ataque aos três profissionais que estavam produzindo um documentário sobre os povos da etnia guarani kaiowá e informa que solicitou apoio à Força Nacional, assim que foram notificados sobre a agressão. 

A ministra Sonia Guajajara lamenta que este não seja um caso isolado. Dentre os mais notórios casos recentes, ela destaca o assassinato do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, que estavam registrando a situação desmatamento e de invasões dos territórios indígenas. 

Guajajara destaca, ainda, a importância de coibir a violência contra todas as pessoas, mas reforça que há uma tentativa clara e quase que diária de intimidação de registros do cenário das comunidades indígenas no país, suprimindo os direitos dos povos indígenas. 

O Ministério informa, ainda, que continuará acompanhando o caso por meio do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas, e que articulará junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, e demais órgãos e instituições, medidas para garantir a segurança aos profissionais no seu retorno.

Matéria alterada às 22:46 para inserir o pronunciamento da Ministra Sonia Guajajara

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