Fascismo

Está mais fácil ser líder de extrema direita

Até a semana passada, ninguém por aqui sabia da existência de Nayib Bukele

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Michelle Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)
Michelle Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

O fascismo é um camaleão volúvel, que se diverte com a capacidade de adaptação a amores e circunstâncias. É assim que a família ligada a milicianos no Brasil tem agora como nova paixão um fascista consagrado pela caçada a gangues e milicianos.

Até a semana passada, ninguém por aqui sabia da existência de Nayib Bukele. E olha o Bukele aí, gente. Ele manda acenos para a torcida do bolsonarismo e ataca Lula gritando lá de El Salvador – que Bolsonaro nem sabe onde fica.

Que Javier Milei, que nada. O argentino ficou muito complexo para as mentes estreitas da direita brasileira. Bukele é fácil, é simples.

Foi reeleito presidente porque promete e faz: seu governo reprime, arrebenta, prende e tortura com uma desenvoltura que poucos déspotas têm ou tiveram.

Bukele chegou ao nível cinco do jogo dos ditadores eleitos. É gamer que não falha. É bacana, é jovem, tem apoio de ricos, classe média, pobres e miseráveis. Venceu a eleição com mais de 80% dos votos.

Não precisa nem fraudar, porque venceria de qualquer jeito. Bukele é a prova de que a turma inspirada em Trump consegue produzir e aperfeiçoar um fenômeno político eleitoral com cada vez mais facilidade.

O rapaz é publicitário e conhece os macetes do mundo digital que Carluxo usou aqui para a família de forma meio atrapalhada. Bekele toca o apito que os Bolsonaros tentaram tocar por mais quatro anos, mas falharam porque havia Alexandre de Moraes e não conseguiram acabar com Lula.

Bukele ralou. Em 2017, quando era prefeito de San Salvador, foi expulso da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN). Sim, ele começou trabalhando para as esquerdas, como publicitário, e durante um tempo anunciou-se como se de esquerda fosse, assumindo depois a carreira política que enveredou para a direita.

Em 2019, tentou criar um partido, o Novas Ideias, para concorrer a presidente, e não conseguiu. Foi para o conglomerado Grande Aliança pela Unidade Nacional (Gana), o PL dele, até se habilitar a concorrer à reeleição, já consagrado, desafiando a Constituição e as instituições, agora com seu próprio partido.

Bukele prova que a construção de um nome antissistema, ou anticasta, como Milei se define, exige pouco. Basta dizer, e pôr em prática, que bandido bom é bandido preso ou morto e que – num país tomado pela violência – a tolerância com a criminalidade será zero.

Que as elites políticas e o sistema (que cada um entende como quiser) devem ser combatidos. Que mentira e verdade são a mesma coisa. Que comunismo, corrupção, Justiça, ciência, cultura e vacinas estão misturadas como ameaças permanentes e que uma mágica produzirá o resto na economia.

Vale para qualquer país? Com algumas variações e adaptações, sim. Valeu para Bolsonaro, que fez aqui com intuição e com os tutoriais de Steve Bannon o que Bekele faz em El Salvador com ciência e com o vigor de quem tem 41 anos.

Vale como modelo de última geração dos destruidores de democracias já precárias. E vale até como alerta para o Brasil de que Michelle, com sua base neopentecostal e com o aperfeiçoamento dos truques de Carluxo, poderá ser a Bukele brasileira.

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