No Rio, evento sobre cultura ballroom tem batalha de vogue e lançamento de documentário

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A cultura Ballroom, que começa na década de 1920, reunindo grande parcela da população LGBTQIAPN+ negra e latina nos Estados Unidos, vai desembarcar neste fim de semana nas dependências do Museu de Arte Moderna (MAM), no centro do Rio de Janeiro. 

O evento “The Face of Ball – Circulação” vai marcar também a estreia do documentário ficcional “The Face of Ball”, que aborda a cultura Ballroom / Vogue sob a perspectiva do Cinema Novo com uma estética Afrofuturista, mas que só havia sido exibido no formato online, já que foi realizado por Blackyva em 2021, dentro de um contexto de pandemia da covid-19.

Com atividades totalmente gratuitas, incluindo uma oficina e a realização de uma batalha de vogue (vogue ball), o evento terá premiação em R$ 300 para quem vencer cada uma das cinco categorias.

A programação foi construída coletivamente, privilegiando profissionais e atrações da cena ballroom, em especial jovens que fizeram parte do elenco do filme. No evento, eles estarão presentes, ministrando oficinas, compondo o painel de júri, atuando como chants (mestre de cerimônia), atrações em performances e ainda como parte da equipe de produção.

No sábado (6), às 14h, acontece a Oficina Commentator x Performance comandada por Legendary Father Luky & Legendary Camylla. No domingo (7), a programação começa às 10h, com a exibição do filme “The Face Of Ball”, que tem a atriz Julia Lemmertz como narradora, seguido por um bate papo e tendo na sequência um baile de vogue que, além das batalhas, terá atrações especiais, como apresentação da cantora Diameyka Odara.

“A proposta é que o evento seja uma grande celebração desse momento de ascensão da visibilidade da comunidade ballroom do Rio de Janeiro e do Brasil e, principalmente, de exaltação da potência e excelência das corpas que compõe a ballroom, composta majoritariamente por pessoas pretas, periféricas e LGBTQIAPN+”, antecipa Rafael Fernandes, idealizador e diretor geral do evento.

Desenvolvido por 10 artistas LGBTQIAPN+ da periferia carioca e dirigido por Blackyva, o filme teve seu processo de criação quando o grupo foi selecionado pelo projeto Entrando na Dança Queer para criar uma performance com foco nas questões de gênero, sexualidade e raça.

O evento tem patrocínio da Secretaria estadual de Cultura e Economia Criativa, através do edital Retomada Cultural RJ 2.

Programação

06 de maio – sábado:

14h – Oficina Commentator x Performance

A oficina explora a relação sinérgica que se estabelece entre quem desenvolve a performance e a pessoa que a comenta no microfone. A dinâmica entre dança, escuta, ação e fala são experimentadas num jogo de improvisação vivo que mobiliza repertório, técnicas de performance e elementos do vogue.

Com Legendary Father Luky & Legendary Camylla

07 de maio – domingo:

10h – Exibição do filme “The Face of Ball” seguido de bate papo com Blackyva, Mayla Eassy & Piricaio

13h – Ball + atrações

Júri: Legendary Mother Tai Cazul, Legendary Ciara 007, Star Princess Kali Mamba Negra, The Overall Princess Legendary Wallandra Cazul, Legendary Mother Makayla Império

Chant: Legendary Camylla & Legendary Kill Bill

DJ: Star Pambelli Cazul

Atrações: Blackyva + UCL Patfudyda Mamba Negra & Statement Mother Diameyka Odara + Statement Baronesa Verão Cosmos

Competição de Ball

 5 categorias com cash prize

– O vencedor de cada categoria ganhará R$ 300 (trezentos reais) –

Categorias: Baby Vogue, Runway, Best Dressed, Sex Siren, Vogue Performance

Sobre a cultura Ballroom

A história da cultura Ballroom começa muito antes de “Vogue”, canção da Madonna (1990). Na década de 1920 uma grande parcela da população LGBTQIAPN+ negra e latina acabou encarcerada durante a Lei Seca dos Estados Unidos. Nas duas décadas seguintes as revistas de moda eram as únicas que entravam no sistema prisional e imitar as poses das modelos era um passatempo.

Na década de 1960, essas referências da moda saem das prisões e chega aos bailes / balls de Manhattan. Mas é no Harlem que Crystal Labeija funda o seu próprio baile, que virariam os Bailes de Vogue / Vogue Balls. Nos anos 1970 e 1980 a cena Ballroom se consolida como espaço de acolhimento e de expressão artística das minorias étnico sociais e periféricas de Nova York.

Após o sucesso da música de Madonna e de documentários como “Paris is Burning” (1991), o vogue se populariza. Mas a Ballroom é mais do que uma festa ou dança e se constitui como espaço de resistência, artística e política, de corporeidades marginalizadas por questões de gênero, sexualidade e raça.

Edição: Eduardo Miranda

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