Questão ecológica é ativo econômico extraordinário, diz Lula

Presidente defende que nações detentoras de florestas negociem juntas com países desenvolvidos para ampliar potencial de preservação e de renda

Em mais uma edição do Conversa com o Presidente, na manhã desta terça-feira (11/7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou o potencial do Brasil no enfrentamento das mudanças climáticas, com as transições energética e ecológica, como ativos econômicos capazes de fazer o país crescer e gerar emprego e renda.

“Queremos pegar toda a Amazônia da América do Sul e fazer disso instrumento de negociação com o mundo desenvolvido, para que a gente possa se desenvolver e gerar emprego para as pessoas que moram na Amazônia. Os indígenas, os pescadores, os povos ribeirinhos, as pessoas que vivem em comunidades. Precisamos fazer com que essas pessoas tenham dignidade. Ganhem salário, tenham uma renda razoável”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
 

“Da mesma forma que os portugueses pegaram o Oceano Atlântico e chegaram aqui no Brasil, a gente tem que aproveitar esse oceano de oportunidades e chegar num momento de desenvolvimento para que o Brasil seja transformado, definitivamente, em um país rico, que sustente com qualidade de vida o seu povo. É isso que a gente quer”.
 

O presidente lembrou do encontro que teve na Colômbia no último sábadopreparatório para uma reunião que juntará no Brasil todos os presidentes de países amazônicos. A ideia é que as nações detentoras de grandes florestas sejam remuneradas por sua capacidade de proteção.
 

“Queremos pegar toda a Amazônia da América do Sul e fazer disso instrumento de negociação com o mundo desenvolvido, para que a gente possa se desenvolver e gerar emprego para as pessoas que moram na Amazônia. Os indígenas, os pescadores, os povos ribeirinhos, as pessoas que vivem em comunidades”, listou o presidente. “Precisamos fazer com que essas pessoas tenham dignidade. Ganhem salário, tenham uma renda razoável. É preciso que a gente discuta com o mundo desenvolvido”, disse.
 

Lula lembrou que, na Conferência do Clima em Copenhague, em 2009, os países ricos prometeram US$ 100 bilhões por ano para a preservação do meio ambiente em países em desenvolvimento, mas ainda não cumpriram o combinado.
 

“Até agora esse dinheiro não saiu e vamos atrás. Estamos juntando os países que têm floresta na América do Sul, os dois Congos e a Indonésia que são os países que mais detêm florestas de pé. E, ao mesmo tempo, criar consciência de que a questão ecológica não é coisa sofisticada de meia dúzia de pessoas”, disse, lembrando que a ciência já provou que o clima está mudando para pior e causando transtornos, com chuvas intensas, secas prolongadas, terremotos e furacões.

BIODIVERSIDADE – Na conversa,Lula destacou a matriz elétrica e energética limpa do Brasil, a extensão da floresta, a riqueza da fauna e o fato de o Brasil ter 12% da água doce do planeta como diferenciais que precisam ser levados em conta na negociação sobre o enfrentamento das mudanças climáticas.
 

“Se a gente tirar proveito, pesquisar corretamente a riqueza da biodiversidade da Amazônia, podemos encontrar coisas extraordinárias para a indústria de fármacos e de cosméticos. Tem um mundo à nossa frente. Não temos que ter medo de desbravá-lo”.
 

FISCALIZAÇÃO – O presidente exaltou a queda nos índices de desmatamento na Amazônia, que tiveram redução de 30% nos seis primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2022, e afirmou que o governo está montando um esquema para fazer concurso e contratar mais gente para ampliar o potencial de fiscalização que o Ibama perdeu.
 

Lula reforçou que o governo vai jogar duro para proteger a floresta de queimadas, derrubadas e da ação ilegal de madeireiros, garimpeiros e do crime organizado. “Vamos jogar muito duro, não só com os instrumentos de proteção do Ministério de Meio Ambiente, mas com o Ministério da Justiça e, se necessário, com as Forças Armadas. Vai ser a primeira vez que a gente vai apresentar ao Brasil um plano de enfrentamento e contenção da bandidagem na Amazônia. As coisas vão ter que ser feitas de forma legal. Quem fizer ilegal, vai ter que ser punido.