Plebiscito Popular: população de SP opina sobre a privatização de Sabesp, Metrô e CPTM

O plebiscito popular que está colhendo a opinião da população paulista sobre a intenção do governo do estado de São Paulo em privatizar a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foi prorrogado até o dia 5 de novembro deste ano. A nova data foi aprovada pelos trabalhadores das três empresas, que estão construindo a iniciativa com o apoio de centrais sindicais, movimentos populares e mandatos parlamentares.  Enquanto isso, urnas do plebiscito estão sendo espalhadas pelas cidades e regiões do estado, no intuito de dialogar com a população. É o que explica Paulo Henrique, militante do Movimento Brasil Popular, uma das organizações que está trabalhando no recolhimento de votos.  “Essa é uma iniciativa construída pelos sindicatos, pelo Sintaema, pelo Sindicato dos Metroviários, os sindicatos da CPTM e articulada com os movimentos sociais para dialogar com a população sobre a importância dessas empresas públicas, que o governador Tarcício de Freitas – assim como foi feito no Rio de Janeiro com a Cedae e como foi feito com o metrô de outras cidades – quer privatizar. Isso vai impactar profundamente a vida da população de São Paulo, com o aumento da tarifa de água e com o aumento da tarifa do metrô e da CPTM”, aponta. Paulo Henrique lembra também da atual situação das linhas 8 e 9 da CPTM, que são geridas pela iniciativa privada. “A gente sabe que já tem linhas da CPTM que são privatizadas, que são as linhas 8 e 9, e a gente tem visto que essas são as linhas que mais tem problemas, que têm causado, inclusive transtornos para a população”.  Para saber o que a população pensa sobre este assunto, nossa reportagem acompanhou um dos pontos de votação do plebiscito na região centro-oeste da capital paulista.  A técnica de enfermagem Beatriz Souza Campos, que participou da votação, avalia que privatizar o serviço vai piorar a qualidade.  “A qualidade do metrô, eu acho que privatizando só vai piorar, porque a gente vê o lado que é privatizado, é sempre problema, é paralisação, é tudo, e quem sai prejudicado somos nós”. Na visão de Beatriz, “a gente tem que se unir e assinar, e falar, e colocar a nossa opinião”.  O carioca Tauan Tales, que é rapper e trabalha como pintor em São Paulo, conta como se deu o processo de privatização dos transportes e da empresa de água e saneamento do Rio de Janeiro.  “A passagem era R$ 3 e pouco. Agora é R$ 4, R$ 4,50. Tem ônibus que chega a ser quase R$5. E tem um outro exemplo também do que eles estão querendo fazer com a Sabesp. No Rio era Cedae e virou Águas do Rio. E o povo está reclamando que vira e mexe está dando corte de água. E outra coisa também, tá um valor muito excessivo. Conta que chegava a R$ 100, R$ 90, agora está vindo quase R$ 200”, declara.  Na visão do rapper, o plebiscito é importante para que o desejo da população prevalesça. “É importante porque é algo diretamente para nós. Porque quem está pensando em fazer toda essa mudança não está pensando na gente. Então acho importante todo mundo se orientar, se comunicar sobre isso e a gente tomar uma decisão. Porque o governo não quer saber da gente”. O estudante de teatro Thales Novaes também avalia que é importante o posicionamento da população a respeito do tema.  “Ao meu ver, não adianta a gente deixar na mão da galera da lá de cima, da política, porque não vai adiantar de nada. Eles vão ter as decisões deles, que são só para eles e não para a gente. Então, é importante participar”, defende.  Outro elemento importante trazido por Thales é o sucateamento do serviço e o corte de empregos públicos, já que o intuito é que a gestão das empresas seja transferida para a iniciativa privada.  “Eu não tenho muito conhecimento sobre isso, mas sei que não é uma coisa bacana. Porque além de você tirar do Estado e jogar para uma empresa que vai lucrar muito mais em cima, além de encarecer o preço e além de sucatear outros meios que não são privatizados, pode tirar muito emprego de uma galera que poderia fazer concurso público”, finaliza.  Edição: Thalita Pires