Mais que só beleza: Lençóis Maranhenses abrigam 700 famílias que protegem o meio ambiente

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Localizado há cerca de 250km da capital São Luís, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses impressiona pela beleza de dunas de areia que lembram um deserto, mas com lagoas azuis formadas pelas águas da chuva.

A região tem chamado mais atenção por ser um dos sete concorrentes brasileiros ao título de Patrimônio Natural da Humanidade, dado pela Unesco. Na área de 155 mil hectares, além das belezas das dunas, vivem cerca de 700 famílias, consideradas guardiãs e protetoras do meio ambiente.

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“Hoje em dia são cerca de 700 famílias que moram no entorno do parque e através delas a gente observa que os Lençóis Maranhense não são um deserto, e sim uma diversidade de vidas em harmonia, a relação do homem com a natureza. Então conquistar o título de Patrimônio Natural da Humanidade é fortalecer a nível mundial a conservação desse lugar, o bem estar dessas comunidades e o desenvolvimento de um turismo sustentável”, explica a turismóloga e pesquisadora na região, Michelle Santos.

Mais de 5,5 mil pessoas de comunidades tradicionais vivem no território do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. / Reprodução

Em geral são sertanejos que foram habitando a região por causa da fartura de água e comida e hoje vivem em harmonia com a natureza, conscientes do papel de preservação e manutenção da cultura local.

“São famílias que vivem historicamente na região e o modo de viver das comunidades, fazem delas protetoras do meio ambiente e da natureza. Elas são as pessoas que preservam o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Elas vivem das práticas da pesca artesanal, da criação de animais, como galinha, bode. Do modo de fazer farinha, de forma rudimentar, do artesanato da fibra do buriti e também do turismo”, destaca Michelle.

Maior campo de dunas da América do Sul, o parque é uma unidade de conservação federal, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – o ICMBio, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e esteve sob risco de privatização durante o governo Bolsonaro.

Para a gestão do Parque, o título seria o reconhecimento daquilo que já se tem garantia: o parque é um patrimônio da humanidade que precisa ser valorizado e preservado. / Reprodução

“É a única coisa que falta ao parque, é o reconhecimento. Porque ele pertence à humanidade, isso já é consciência mundial. Ele pertence à comunidade internacional, ele é um patrimônio internacional que nós devemos preservar, para que outras gerações de filhos e netos possam usufruir do que nós usufruímos hoje”, considera o Coronel Flávio Antônio Silva, chefe do Parque.

Dentro da área territorial, os moradores se destacam na produção de artesanato da fibra de buriti e culinária regional. A maioria das famílias vive do próprio alimento, à base da agricultura familiar e da pesca artesanal.

Ana Paula é agricultora e vive com a família em Santo Amaro, região territorial do parque. / Reprodução

“Eu, minha família e várias famílias aqui de Santo Amaro vivemos dentro da área do Parque dos Lençóis Maranhenses. Muitas comunidades, como a gente, vivem dessa maneira, produzindo o próprio alimento. Criamos peixe, temos aqui a horta, a gente faz a farinha…”, explica Ana Paula Sousa, moradora de Santo Amaro e agricultora familiar.

De braços abertos para a recepção de turistas, os moradores das comunidades que compõem o parque alertam para o respeito aos modos de vida tradicionais.

“O Parque dos Lençóis Maranhenses pra mim representa muitas coisas boas, como a natureza, renda para as pessoas, que através dos turistas, eles vêm para cá e trazem renda para cá. Eu espero que os turistas que venham respeitem a nossa cultura, o nosso modo de ser e de viver.”

Novela da Globo, “Travessia” destaca as belezas do Parque dos Lençóis Maranhenses. / Divulgação

Cenário do filme Os Vingadores e de novelas como O Clone, Da Cor do Pecado e na atual A Travessia, os moradores do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses também estão inseridos na produção cultural que envolve a região.

“Atualmente os lençóis têm sido cenário de uma novela global, que é a Travessia, na qual eu participei da produção dos artistas, principalmente dos figurantes, que foram quase todos aqui da comunidade Tapuio: os pescadores, as lavadeiras, as crianças. Então nós estamos na mídia, mas a gente não quer perder nossa identidade local, nosso modo cultural de fazer arte”, explica o produtor cultural Kannydhia Sousa.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

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