Bolsonarismo pode ter causado Surto de sarna em creches de Balneário Camboriú

Uso excessivo de ivermectina pode ter contribuído para resistência do parasita

Bolsonaro oferecendo ivermectina para ema. Foto: Adriano Machado/Reuters
Bolsonaro oferecendo ivermectina para ema. Foto: Adriano Machado/Reuters

Balneário Camboriú – Conhecida por seu apoio expressivo a Jair Bolsonaro nas últimas eleições, Balneário Camboriú, em Santa Catarina, enfrenta um surto de escabiose em duas creches municipais.

Pesquisadores sugerem que o uso abusivo de ivermectina pode ter tornado o parasita mais resistente.

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O que você precisa saber:

  • Surto de sarna: Identificado em duas creches de Balneário Camboriú.
  • Uso de ivermectina: Propagado durante a pandemia pode ter contribuído para resistência do parasita.
  • Estudo da Ufal: Destaca superresistência do ácaro devido ao uso excessivo do medicamento.
  • Necessidade de monitoramento: Ministério da Saúde não monitora a doença, dificultando a coleta de dados precisos.

Surto em Creches

Balneário Camboriú, conhecida por seu apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrenta um surto de escabiose, ou sarna, em duas creches. A cidade registrou 74,57% dos votos para Bolsonaro no segundo turno das últimas eleições.

Uso de Ivermectina e Resistência do Parasita

Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) sugerem que o uso abusivo de ivermectina, presente nos “kits Covid” promovidos por Bolsonaro, pode ter tornado o ácaro Sarcoptes scabiei mais resistente.

Em 2021, um estudo da Ufal destacou a superresistência adquirida pelo parasita devido ao uso excessivo do medicamento.

Reconhecimento da Situação

O médico infectologista Fábio Gaudenzi de Faria, da Superintendência de Vigilância em Saúde de Santa Catarina, reconhece a possibilidade dessa relação em Balneário Camboriú, mas ressalta que é necessária a avaliação da resistência do parasita para confirmação.

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Falta de Monitoramento

A escabiose não é monitorada pelo Ministério da Saúde, o que dificulta a coleta de dados precisos sobre a doença. Faria aponta que, “se houver um aumento dos surtos, vamos precisar mudar a vigilância, para entender o motivo da mudança do perfil”.